mais uma longa tarde de semana, no meu quarto imersa em sentimentos contraditórios. A vontade de confiar em luta com a necessidade de manter um velho hábito: mais um natal e ano-novo sozinha ou com uma bem intencionada família? Racionalmente a decisão seria óbvia, optar por um quarto de hotel na própria cidade onde se viveu seria claramente a opção de alguém que não quer ficar bem. Estremeço ao notar que esta pessoa sou eu.
Ao contemplar passar as festas com esta família, meu coração se acalma ao imaginar a alegria, as conversas e risadas, poder me infiltrar na intimidade de algum outro, como se estivesse numa festa familiar de um filme norte-americano. Afastaria da minha mente pensamentos tristes e já tão conhecidos, e poderia esquecer por certo tempo o motivo de estar ali em primeiro lugar.
De volta em casa, daria ração para os cachorros, escovaria os dentes e me trocaria. Apagaria a luz e lá se foi mais um dia. Na sala, a luz laranja do poste iluminaria o chão e a sombra das folhas balançaria com o vento, o silêncio só quebrado por algum latido ou um carro passando.